Câmara de Jarinu celebra o Dia do Hip Hop com arte

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14 de agosto de 2025

 

A Câmara Municipal de Jarinu se transformou em um palco de celebração, resistência e arte na noite de segunda-feira, 11 de agosto, ao sediar a primeira comemoração oficial do Dia Municipal do Hip Hop. O evento histórico reuniu artistas, coletivos, vereadores e a comunidade para reafirmar a força de uma cultura que nasceu nas periferias e hoje ocupa, por direito, os espaços de poder.

Arte, resistência e a voz da periferia

A noite foi uma demonstração vibrante dos quatro elementos do hip hop. Logo no início, o grafiteiro Luís Augusto Basso, conhecido como Ócio, iniciou a pintura de um mural ao vivo, transformando a palavra em imagem e deixando um marco visual do evento. A programação seguiu com apresentações de dançarinos como MG e performances que uniram música e poesia, como a do artista Belmonte, que emocionou o público com sua trajetória.

A fala dos representantes de coletivos como Os InvisíveisColetivo Imani e Batalha de Riva ecoou um sentimento unânime: o hip hop é uma ferramenta de transformação social. Os discursos ressaltaram a importância de dar visibilidade e voz a quem muitas vezes é silenciado, utilizando a arte como um ato político de empoderamento e denúncia.

"O rap pode ser uma alternativa": Histórias de superação

O ponto alto da noite foram os depoimentos de artistas que compartilharam como o hip hop salvou suas vidas. O multiartista Miermi (Codeguina) contou sua experiência vendo crianças de 11 anos se envolverem com o crime por falta de opção. "Nós, como hip-hop, somos missionários do rap. Temos que ir aonde o rap manda a gente", afirmou, defendendo a presença da cultura nas comunidades como uma alternativa real.

Ele também compartilhou sua luta pessoal contra uma doença renal, revelando que escreveu seus melhores raps enquanto fazia hemodiálise na UTI. "A arte é uma ferramenta de transformação, tanto pra pessoa que ouve, quanto pra pessoa que pode ter uma perspectiva de trabalho", concluiu, emocionando os presentes.

Um marco para a cultura e a cidadania

A celebração na Câmara não foi apenas simbólica. Representantes do poder público e da comunidade destacaram que a instituição do Dia do Hip Hop no calendário oficial é um passo decisivo para a criação de políticas públicas contínuas. A presença no espaço legislativo foi vista como uma conquista que abre portas para mais diálogo, fomento e reconhecimento.

Os vereadores presentes se comprometeram a apoiar o movimento, reconhecendo que a cultura é um direito e que o poder público deve caminhar junto com os artistas para promover justiça social, igualdade e oportunidades, transformando a realidade das periferias.

A primeira celebração do Dia do Hip Hop em Jarinu é muito mais do que um evento; é a legitimação de uma cultura que historicamente resiste à margem. Ao ocupar a Câmara Municipal, o movimento hip hop demonstra sua força política e sua capacidade de mobilização. Para a cidade, representa a oportunidade de construir, em parceria, um legado de inclusão e transformação, provando que, para a arte acontecer, "tem que ter quem faz a arte" — e Jarinu mostrou que seus artistas estão mais presentes e atuantes do que nunca.